Um brinde às melhores regiões vinícolas de Portugal

Um brinde às melhores regiões vinícolas de Portugal

Dos tintos aveludados aos frescos vinhos verdes, as regiões vinícolas de Portugal têm tanto mais para oferecer. Descobre as variedades de uva e as vinhas pitorescas de Portugal

Para um país pequeno, Portugal tem muitas vinhas. Há, no total, 13 regiões vinícolas diferentes, se contares com as ilhas da Madeira e dos Açores. E porque não? Com cada região a oferecer a sua própria gama deslumbrante de vinhos, quanto mais há para visitar, melhor.

Como provavelmente não vais poder ir conhecer todas numa só viagem (pelo menos não sem morreres de euforia), nós tomámos a liberdade de escolher as seis melhores regiões produtoras de vinho de Portugal, para ires visitar agora mesmo. E não te preocupes com perder as outras – ficas com uma bela desculpa para voltar.

Lisboa

Portugal nunca desilude, até a capital é uma região produtora de vinho! A área da Grande Lisboa contém nove sub-regiões de vinho, cada uma com características próprias.

Se tiveres de escolher só uma, visita Colares. Esta pequena sub-região fica aninhada no parque natural Sintra-Cascais, com os palácios de conto-de-fadas de Sintra de um lado e uma costa com encantadoras aldeias piscatórias do outro.

As vinhas aqui crescem diretamente na areia, o que tem um aspeto estranho e aleatório, mas produz ótimos resultados – como os tintos de taninos poderosos da uva Ramisco autóctone.

Devido à expansão suburbana, sobram apenas cerca de 20 hectares das vinhas de Colares. É uma viagem fácil a partir do centro de Lisboa; apoia a região fazendo uma reserva para uma prova de vinhos com um dos produtores locais, como  a Adega Viúva Gomes.

Vale do Douro

O Rio Douro acorda em Espanha, estende-se pela largura de Portugal como uma manhã de Domingo preguiçosa e culmina num bocejo na segunda maior cidade do país, o Porto. Pelo caminho, o rio vai alimentando vinhas e oliveiras, atravessando paisagens torradas pelo sol, e acenando de passagem a dezenas de aldeias sonolentas.

O vale em si é Património Mundial da Unesco e a mais antiga região de vinho demarcada do mundo. É também o lar do delicioso vinho doce e fortificado que conhecemos como vinho do Porto. Prova-o numa das melhores Quintas do Douro,como a Quinta de Santa Eufémia — de gestão familiar, a apenas uma hora de carro do Porto, e conhecida pela sua hospitalidade e tendência por fazer as coisas à moda antiga (ou seja, pisar as uvas com os pés!). Ou então experimenta a Quinta do Pêgo, completa com um hotel, onde podes beber vinho do Porto galardoado enquanto relaxas à beira da piscina, com vistas inacreditáveis estendendo-se à tua frente.

Trabalhar a terra do Douro não é fácil – as vinhas são crescidas em xisto, em serras íngremes com socalcos tradicionais, em condições climatéricas difíceis. Mas vale a pena o esforço. O Douro proporciona vinhos excecionais e altamente originais, e paisagens arrebatadoras que cortam a respiração tanto vistas de terra como num passeio pelo rio.

Minho

Sabes aquela vontade louca que dá de beber algo fresco e frutado numa tarde de calor à torreira do sol? Bendito o português que se lembrou do vinho verde.

Vinho ‘verde’ significa pouco maduro. Quem diria que a imaturidade para os vinhos podia ser uma coisa tão boa? Os vinhos verdes tendem a ser leves e frescos com um toque de efervescência.

Para provares vinho verde na sua terra natal, segue para a província histórica do Minho, a maior região vinícola de Portugal em termos de tamanho. A rota do vinho verde do Minho leva-te a passar por muitas quintas estonteantes. Experimenta a Quinta da Aveleda, conhecida pelos seus jardins e vinhedos românticos cheios de ruínas, e a Quinta de Soalheiro pelos seus vinhos Alvarinho premiados.

Enquanto estiveres no Minho, aproveita para ficar a conhecer os seus marcos históricos e cidades encantadoras, como Guimarães, a capital medieval de Portugal; ou Braga, cuja maior atração é o Santuário do Bom Jesus, completo com vistas panorâmicas e uma escadaria barroca com 577 degraus

Alentejo

Todos os amantes de praia e as suas pranchas migram para o sul de Portugal para as férias de Verão. Aqui, o Algarve é a melhor opção para trabalhar o bronze; mas não é a melhor região para o vinho. Para uma boa pinga no Sul, segue antes para o Alentejo.

A região em si é enorme e rural, com vastas planícies de trigo, sobreiros e oliveiras estendendo-se até ao horizonte. O clima quente proporciona muitos vinhos fáceis de beber, especialmente tintos. E embora só em décadas mais recentes tenha vindo a ganhar proeminência internacional, a história vitícola da região data do século IX AC.

Quintas como a Adega José de Sousa e a Herdade do Rocim até produzem um vinho chamado Vinho de Talha, que é feito em grandes potes de barro usando uma técnica que data da Roma Antiga.

Se te der a fome pelo caminho, acompanha o teu tinto alentejano com um dos muito amados pratos tradicionais da zona – como o porco preto, uma carne suculenta de porco preto ibérico de criação ao ar livre.

Dão

Se nunca ouviste falar da região do Dão, não te preocupes – pode não ser a mais famosa, mas isso só significa que há mais pérolas (de vinho) a descobrir.

As uvas da região do Dão crescem a grandes altitudes, protegidas pelas montanhas em todas as frentes criando um clima temperado. Se gostas de vinhos ricos e estruturados com boa acidez, este é o lugar onde os encontras.

Uma das variedades mais nobres e proeminentes do Dão é a “rainha” das uvas de Portugal, a Touriga Nacional – uma casta retinta, rica e muito aromática à qual se atribui a suavidade aveludada de muitos dos tintos do Dão.

Enquanto estiveres na rota do Dão, para no Paço dos Cunhas de Santar ou na Quinta do Cabriz. Ambas as herdades têm restaurantes aclamados onde cada pingo de vinho vem gastronomicamente acompanhado daquilo que merece. Naturalmente, vais querer deixar espaço para a sobremesa.

Madeira

Como se precisasses de uma desculpa para visitar uma ilha tropical verdejante… mesmo assim, vamos dar-te uma. Chama-se vinho da Madeira. Depois do Porto, o vinho da Madeira é o segundo mais famoso vinho fortificado português. Há um leque de variedades, do doce ao seco, cada um tão especial quanto o outro graças ao seu processo de produção singular.

Como é que se faz? O vinho é, habitualmente, colocado em cubas de aço inoxidável que são aquecidas a uma temperatura de 45-50 graus Celsius por um período de pelo menos três meses, depois deixado a descansar durante pelo menos mais três meses. Os vinhos da Madeira da mais alta qualidade, em vez de utilizar este processo de aquecimento artificial, deixam barris de vinho ao sol para aquecerem naturalmente – às vezes por períodos tão longos como 20-100 anos. Para provares uns bons vinhos da Madeira, acrescenta o Blandy’s Wine Lodge, situado no centro do Funchal, e os Vinhos Barbeito (a 20 minutos de carro do centro do Funchal) ao teu itinerário da Ilha da Madeira.

Se a ideia de vinhos fortificados únicos e deliciosos não te dá vontade de fazer as malas, há sempre as paisagens vulcânicas verdejantes, a fruta exótica e as praias incríveis. Dirige-te à ponta norte da ilha para mergulhares nas águas cristalinas das Piscinas Naturais do Cachalote, aninhadas nas falésias de rocha vulcânica; ou toma banhos de sol numa das praias de areia dourada na cidade histórica de Machico.

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