Os segredos do sucesso da Cervejaria Ramiro

Os segredos do sucesso da Cervejaria Ramiro

Ramiro Alvarez Alban, conhecido por todos como o Sr. Ramiro, transformou a pequena casa de pasto do n.º1 da Av. Almirante Reis, em Lisboa, na cervejaria/marisqueira de maior sucesso da capital.

Ramiro Alvarez Alban, conhecido por todos como o Sr. Ramiro, transformou a pequena casa de pasto que, em 1956, o seu pai começara a explorar no n.º1 da Av. Almirante Reis, em Lisboa, na cervejaria/marisqueira de maior sucesso na cidade.

Filho de um casal de galegos que veio para Portugal para escapar às dificuldades que na época se viviam na Galiza, Ramiro, nascido em 1931, chegou a Lisboa ainda bebé. Como tantos outros galegos que aqui se dedicaram aos negócios das carvoarias e tabernas, o pai abriu um estabelecimento na Calçada da Bica e, mais tarde, avançou para a Almirante Reis. Quando começou a trabalhar com o pai, Ramiro introduziu algumas alterações: tirou as pipas de vinho, começou a servir cerveja, e, gradualmente, os petiscos, dos rissóis aos pastéis de bacalhau, dos croquetes às sandes de leitão, foram desaparecendo, substituídos por marisco de qualidade que ele ia comprar ao mercado da Ribeira, pelo presunto Cinco Jotas que trazia de Jabugo, em Espanha, e por outros produtos que faziam a diferença.

Com o tempo e o sucesso, a marisqueira foi crescendo em tamanho, sempre dentro do mesmo edifício e, com a morte do Sr. Ramiro, em 2009, o negócio, que ficou nas mãos da viúva, Maruga, da filha Ana e do genro Pedro, expandiu-se para o andar de cima, mantendo a clientela fiel e conquistando os muitos turistas que começaram a chegar à cidade.

Um dos grandes trunfos da casa é a equipa. Desde os tempos do Sr. Ramiro que os funcionários vinham do Norte, do Minho, de Trás-os-Montes, das Beiras ou da Galiza. Eram todos conhecidos ou familiares de outros que já lá trabalhavam e assim Ramiro foi criando uma equipa com um verdadeiro espírito de família. Os clientes reconhecem, aliás, que é isso que faz desta marisqueira um lugar especial, onde se sentem sempre em casa, e que tem a enorme vantagem de ser despretensioso e descontraído.

Esta casa, dizem os proprietários, é um ser vivo e “um desafio constante, sempre a dizer-nos que temos que fazer mais e melhor”. Pedro e Ana foram respondendo a esse desafio com uma preocupação: que nos bastidores tudo mudasse para que no palco principal tudo parecesse na mesma. E explicam: “Houve uma série de evoluções tecnológicas no acondicionamento do marisco, na forma como é guardado. Compara-se o Ramiro de hoje com o de há dez anos e não tem nada a ver na parte de armazéns, de frio, etc.. Mas os clientes não vêem isso, vêm só disfrutar o espaço. O desafio foi conseguir essa evolução técnica fazendo com que quem entra continue a achar que está a entrar no Ramiro de há 30 anos.”

Outro grande “segredo” do sucesso do Ramiro é o facto de a ementa nunca mudar – e é exactamente isso que os clientes procuram. O marisco, das lagostas às sapateiras, das ostras aos percebes, dos lagostins aos carabineiros, é a estrela, evidentemente, e com ele vêm o pão torrado, a cerveja ou o vinho, os pregos de carne do lombo – e que aqui são carinhosamente chamados de “a sobremesa” – e o café. Ter poucos elementos faz com que se preste especial atenção à qualidade de cada um deles.

E basta ver as enormes filas que todos os dias se formam à porta (onde foi até instalada uma máquina para que se possa ir tirando cerveja) para perceber que a fórmula é, hoje como no passado, vencedora.

Texto Alexandra Prado Coelho

Fotos Paulo Barata