O exotismo marroquino em cidades como Tânger, Casablanca e Marraquexe

O exotismo marroquino em cidades como Tânger, Casablanca e Marraquexe

Entre as montanhas, o deserto e as planícies costeiras estendem-se os 710 mil km2 de Marrocos  É nesta diversidade que vive um país virado para o turismo mas cuja economia ainda depende da agricultura. Para entrarmos no seu espírito é preciso deambular pelas labirínticas ruas das suas cidades, como Tânger, Casablanca e Marraquexe

Numa primeira abordagem Marrocos evoca em nós as cores e o calor do deserto. A verdade é que este país do Magreb é composto por uma espantosa diversidade de paisagens, que alternam entre dunas, florestas de cedros, uma costa dividida entre o Atlântico e o Mediterrâneo, e as montanhas da cordilheira do Atlas. Quase a tocar o continente europeu, Marrocos é a porta de entrada para o mágico mundo árabe. No exotismo de uma ancestral África, eis um país de milenares cidades imperiais, labirínticas medinas e de um povo que acolhe o visitante sempre com um sorriso aberto.

Tânger o início da viagem

A sudoeste do estreito de Gibraltar, mais precisamente a 60 km, a histórica Tânger tem como maior tesouro as belas praias. Apelidada de “Portal para África”, é uma das mais vibrantes, misteriosas e interessantes metrópoles marroquinas. A língua árabe eleva-se em recantos pejados de gentes e afazeres. O cenário completa-se com os aromas da rica cozinha marroquina. Em 1437, o rei D. Duarte realizou uma expedição à cidade que se revelaria trágica para os interesses de Portugal. D. Fernando, irmão do monarca, foi feito refém dos mouros. Tânger só se tornaria domínio português em 1471, quando D. Afonso V empreendeu nova expedição. A cidade esteve sob domínio português até 1661, ano em que passou para a coroa inglesa, no âmbito da negociação do dote de casamento da infanta D. Cristina de Bragança com Carlos II. Foi uma das cidades internacionais com os privilégios de praça livre até 1960, data da sua anexação por Marrocos.

Tânger é uma cidade que mistura influências marroquinas, europeias e  africanas, pelo que facilmente capta a atenção dos visitantes estrangeiros. Na verdade Tânger é a mais cosmopolita das cidades de Marrocos. Um lugar onde os nomes das ruas surgem em três línguas – algo que sobreviveu da época em que era um porto de livre circulação. Foram muitas as personalidades que sentiram uma imensa atracção pela cidade, nomes como Oscar Wilde, André Gide, Jack Kerouak, Tenesee Williams, Henri Matisse, Cecil Beaton e Winston Churchill integram um pouco da história de Tânger.  Pitoresca e vibrante de vida, Tânger tem muito para oferecer. Destaca-se a sua activa medina, mais conhecida por Grand Socco, os jardins de Mendoubla, a mesquita de Moulai Ismail, o Museu Forbes e o Colégio Merinid.

Marraquexe inesquecível

Para que nada falhe, é de mapa na mão que se aconselha a descoberta de Marraquexe, pois só assim poderá tomar a direcção correcta para descobrir os tesouros que a cidade esconde. A cidade que foi governada por diferentes dinastias – Almorávida, Almóada e os Saádida – faz os viajantes percorrerem mil anos de arte e história. Se nos perguntarem o que não se podemos mesmo deixar de ver na cidade imperial destacamos Dar Si Saïd, antigo palácio do século XIX que hoje alberga o Museu de Arte Regional; o Palácio da Bahia, edificado pelo vizir Ba Ahmad e famoso por possuir 150 divisões, além de magníficos jardins; o riquíssimo Jardim Majorelle, criado em 1924 pelo pintor francês Jacques Majorelle e actualmente propriedade do costureiro Yves Saint Laurent; o Palácio El-Badi, que em árabe significa o Incomparável, um dos 99 nomes de Alá; os Túmulos Saadianos, construídos em finais do século XVI, que foram a última morada para membros reais da dinastia Saádida; e a antiga escola de Alcorão, Medersa Ben Youssef.

Claro que Koutoubia, verdadeiro ex-líbris local, é outro importante spot a conhecer. Com 77 metros de altura, foi edificada no século XII durante o reinado de Yacoub al-Mansour, sendo considerada uma obra-prima da arquitectura hispano-mourisca. Cada uma das suas quatro paredes exteriores são diferentes, e é tudo o que lhe podemos contar pois visitar o interior é absolutamente proibido aos não muçulmanos.

A vida de Marraquexe gira em torno da sua praça principal, Jemaa-el-Fna. Noutros tempos palco das execuções públicas, o local, que pode não ser dos mais belos, é hoje, sem dúvida, dos mais animados. A razão principal reside no souk que diariamente atrai milhares de pessoas que ali encontram um pouco de tudo. Foi exactamente a pensar nos mais exigentes que abriram nos últimos tempos variadíssimas lojas e ateliers, caso do luxuoso bazar La Porte d’Or. No seu interior podemos encontrar tapetes e antiguidades, mobiliário e jóias, mas tudo a um preço bastante alto. Mais em conta, mas igualmente muito bem fornecido de belas peças, o Trésor des Nomades apela a uma visita. Em matéria de peças de barro, nenhuma chega aos pés da célebre Céramique Akkal, enquanto os mais belos tecidos e bordados são da responsabilidade do atelier Brigitte Perkins.

Casablanca, a mais ocidental 

Casablanca apresenta-se como uma metrópole bastante moderna, diferente das outras cidades do país, ou não tivesse ela sofrido ao longo dos anos uma forte influência ocidental, especialmente francesa. Nas suas ruas o uso do tradicional véu por parte das mulheres é praticamente inexistente, e as mais jovens, além de andarem com o rosto descoberto, preferem um vestuário mais ao estilo ocidental. Esta evidência não quer de modo nenhum significar que Casablanca tenha perdido a sua especificidade, nada disso! Ainda podemos ver muitos habitantes vestidos com o djellaba, o fato tradicional marroquino usado por homens e mulheres, que nos pés trazem calçados os belgha, espécie de chinelos em pele, bastante confortáveis. Não se esqueça que se pretender fotografar alguém deve antes pedir autorização, evitando desta forma algumas situações complicadas!

Não há muitos monumentos em Casablanca, mas de todos o mais importante é a Mesquita Hassan II, obra imponente erigida pelo actual rei Hassan II. Construção iniciada em 1980, a mesquita foi inaugurada em Agosto de 1993. Erguida sobre o mar numa plataforma de pedra, está localizada na ponta mais oeste do mundo muçulmano e representa o mais ambicioso projecto do rei Hassan II. O complexo alberga, além do espaço para rezar, uma biblioteca e um museu. Utilizando apenas materiais de Marrocos, à excepção dos 50 candeeiros importados de Milão, a mesquita surge como uma obra ímpar dotada de uma beleza impressionante. O tecto, construído em madeira, abre para os lados, possibilitando assim a entrada da luz natural. Com 200 m de altura, o minarete emana do topo um raio laser visível a mais de 35 km de distância, que indica a direcção de Meca.

Por Sandra M. Pinto