Madrid cidade caliente

Se Lisboa é menina e moça, Madrid é mulher e maturidade. É impossível resistir aos seus restaurantes e discotecas, aos seus museus e galerias, aos seus parques e jardins, às suas praças e avenidas, enfim, a tudo o que a torna única e inolvidável.

Quem fala em Madrid fala em movida. Quem fala em movida fala em animação. E quem fala em animação fala em Madrid… Confuso? Nem por isso, se tivermos na memória a grande transformação pela qual passou a capital espanhola nos idos anos 80. Nessa prodigiosa década quase tudo mudou em Madrid: a geografia, o carácter, o ambiente, os horários, os espaços de animação, os restaurantes, os habitantes…

Mas a transformação não se limitou àqueles 10 anos, pois teve continuação nas décadas seguintes, tendo mesmo entrado de rompante e com toda a força no século XXI. Actualmente, Madrid é uma metrópole segura de si, que sabe perfeitamente o que quer e para onde vai. Dos primeiros tempos da movida ficou a recordação de uma grande mudança e uma agitação que ainda hoje permanece.

Ao longo da sua história este foi um local bastante disputado, em que os governantes que mais marcaram a sua fisionomia foram, primeiro, os Habsburgos e, depois, os Bourbons. Capital do reino de Espanha desde 1561, passou por muitos contratempos, como uma sangrenta e devastadora Guerra Civil e quase quatro décadas de ditadura franquista. Apesar das dificuldades, os madrilenos nunca desistiram de tentar ser felizes. Mesmo nas alturas mais difíceis souberam dar vida, cor e alegria à sua cidade. Na realidade, os habitantes de Madrid apresentam uma característica muito peculiar: gostam de ver e ser vistos! É por isso que os seus passeios, praças e ruas mais parecem montras, com manequins de carne e osso muito bem vestidos, penteados e maquilhados. Curiosamente, esta mistura entre uma ligeira tendência para o exibicionismo e uma pontinha de vaidade não choca nem um pouco com o apego que aquela gente tem às tradições e aos costumes mais antigos. Há quem afirme que é exactamente aí que reside a diferença entre madrilenos e barceloneses, eternos rivais não só no futebol.

A uma forma de estar moderna, a uma vida que querem cada vez mais cosmopolita, os madrilenos contrapõem, orgulhosos, fortes tradições e hábitos fortemente arreigados que se esforçam por manter e preservar. A família, a religião e a ligação à família real são alguns dos pilares em que assenta a sociedade madrilena. A mesma que gosta de canãs – cerveja – e tapas, de sair até altas horas da noite, de frequentar locais bonitos, de estar na moda.

Seja qual for a altura do ano, diga o calendário que é ou não dia de fiesta, em Madrid há sempre motivos para celebrar. Depois do horário normal de trabalho, as ruas enchem-se de gente que alegremente convive antes do jantar. Após esta refeição, voltam a sair para dar um passeio antes de dormir, pois é esse mesmo o espírito dos madrilenos.

Arquitectonicamente falando, não passa despercebida, até ao visitante mais distraído, a diversidade dos bairros em que se divide Madrid. Mas o maior contraste reside entre as ruas estreitas e verdadeiramente labirínticas que integram a zona mais antiga, de forte pendor medieval, e as largas e compridas avenidas construídas quase todas no decurso dos séculos XVIII e XIX. A Gran Vía, a maior, é também a principal artéria da cidade. Em seu redor encontram-se as lojas das conhecidas griffes, tanto espanholas como internacionais, e as sedes de importantes instituições bancárias e de empresas estrangeiras e nacionais.

Visitar Madrid é também ter a oportunidade de ficar a conhecer cerca de 30 dos melhores museus do mundo. O destaque vai direitinho para o Prado, o Reina Sofia e o Thyssen-Bornemisza, mas outros, mesmo sem serem tão imponentes, são igualmente ricos, como a Real Academia de Belas-Artes ou o Museu Nacional de Artes Decorativas.

A conhecer

Catedral de Santo Isidro

Da construção de estilo barroco, edificada no século XVII para acolher padres jesuítas, sobressaem as duas torres gémeas. Com a expulsão dos jesuítas, todo o seu interior foi alterado e o local consagrado a Santo Isidro, o patrono da cidade. Funcionou como catedral madrilena até à conclusão da La Almudena.

Mosteiro das Descalças Reais

Coberto por tijolos vermelhos e granito, este mosteiro do século XVI é um dos mais notáveis edifícios religiosos da cidade. O que originalmente era um palácio foi convertido, em 1560, por ordem de D. Juana, irmã de Felipe II, num convento para freiras e mulheres de casa real. Aqui, são de assinalar o Salão dos Reis e a Sala das Tapeçarias, com pinturas de Rubens, Murillo, Zurbarán, Brueghel e Ticiano, entre outros.

Mosteiro da Encarnação

Convento agostinho fundado em 1611 por Margarida da Áustria, mulher de Felipe III. Construído por Gómez de Mora, preserva a atmosfera de então, com mosaicos azuis e brancos de Talavera, imponentes portas de madeira e retratos dos seus benfeitores nas paredes. Alberga uma valiosa colecção de arte do século XVII, sendo a sua principal atracção a Câmara do Relicário, onde, sob o tecto pintado por Carducho, está guardado o frasco que contém o sangue seco de São Pantaleão.

Catedral de La Almudena

Iniciada em 1879 e terminada mais de um século depois, a catedral de Madrid apresenta uma fachada neogótica cinzenta e branca, abrigando na cripta uma imagem da Virgem de La Almudena, datada do século XVI.

Palácio Real

Foi Felipe V, o primeiro monarca da dinastia dos Bourbon, que esteve na origem deste palácio que demorou 26 anos a ficar concluído. Actualmente realizam-se visitas guiadas diárias, durante as quais se pode admirar a colecção de tapeçaria, de mobiliário, de porcelana e de vidraria que adorna as sumptuosas salas.

Ateneo de Madrid

Associação fundada em 1835, continua, tal como no início, a ser um dos pilares do pensamento liberal espanhol.

Museu do Prado

Originalmente, o edifício neoclássico projectado por Juan de Villanueva, em 1785, serviria para acolher o Museu de Ciências Naturais, o que nunca chegou a acontecer já que, após a Guerra da Independência, Fernando VII decidiu instalar ali as colecções reais de pintura espanhola dos séculos XV a XVIII. Mais tarde juntaram-se grandes obras das escolas Flamenga, reunidas pelos Reis Católicos, e Italiana, por iniciativa de Carlos I e Felipe II. Das muitas obras de arte que podem ser contempladas no Prado, algumas são merecedoras de especial atenção: O Cavaleiro com a Mão no Peito, de El Greco; A Rendição de Breda ou As Meninas, de Velázquez; A Família de Carlos IV, de Goya; O Triunfo da Morte, de Brueghel; O Jardim das Delícias, de Bosch; As Três Graças, de Rubens, e A Queda de Cristo a Caminho do Calvário, de Rafael.

Museu Thyssen-Bornemisza

Instalado em Madrid desde 1992, o museu ocupa a totalidade do Palácio Villahermosa. A sua colecção, composta por cerca de 800 obras-primas, inclui pinturas de Ticiano, Goya, Van Gogh e Picasso. Considerada por muitos especialistas como a melhor colecção privada do mundo, foi reunida pelo barão Heinrich Thyssen-Bornemisza e pelo seu filho, o actual barão, Hans Heinrich.

Centro de Arte Reina Sofía

Esta é a casa de Guernica, uma das mais famosas obras de Pablo Picasso. Corria o ano de 1990, quando um decadente hospital público, construído nos finais do século XVIII, abria as portas como um dos mais fascinantes museus de arte moderna da Europa. Para lá de uma austera fachada, encontram-se trabalhos de Picasso, Francis Bacon, Salvador Dalí, Miró, Tápies e Solana, entre outros.

Real Academia de Belas-Artes

Instalada num prédio do século XVIII, teve como estudantes famosos Dalí e Picasso. A sua galeria de arte acolhe verdadeiros tesouros, de que é exemplo um conjunto de desenhos de Rafael e Ticiano. A Goya, que desempenhou funções como director da academia, foi dedicada uma sala.

Museu Nacional de Artes Decorativas

Com vistas para o Parque del Retiro, este museu acolhe uma interessante colecção de mobiliário, com peças sobretudo espanholas, desde o tempo dos fenícios até aos nossos dias.

Puerta del Sol

Praça em forma de meia-lua, que assinala o local da antiga entrada leste da cidade. Onde antes se encontravam um portão e um castelo, estão hoje vários edifícios governamentais, como o da Comunidade de Madrid. É um dos mais populares pontos de encontro da cidade, animado por músicos e artistas saltimbancos, que tentam captar a atenção das multidões que se cruzam a caminho das lojas, dos cafés e dos restaurantes das ruas circundantes.

Plaza de la Villa

Dona de um ambiente muito particular e circundada por alguns dos mais importantes edifícios históricos da cidade, sendo o mais antigo a Torre de los Lujanes, a Plaza de la Villa data do século XV.

Plaza Cánovas del Castillo

Baptizada com o nome de Antonio Cánovas del Castillo, estadista espanhol assassinado em 1897, esta praça é dominada pela Fuente de Neptuno, desenhada em 1780 por Ventura Rodríguez.

Plaza Mayor

Nesta conhecida praça madrilena, finalizada por Juan Gómez Mora em 1617, tiveram lugar beatificações, execuções, touradas e autos-de-fé. Possuidora de um carácter marcadamente público, está quase sempre inundada de gente que se senta numa das inúmeras esplanadas das arcadas ou mesmo no chão, aproveitando a sombra da estátua equestre de Felipe III.

Plaza de España

É, claramente, um dos mais movimentados cruzamentos da capital espanhola. A zona mais frequentada é o centro da praça, ocupado por um imponente obelisco de pedra, de 1928.

Plaza de Cibeles

Sem dúvida uma das mais belas praças, das muitas que existem em Madrid. Ao meio ergue-se a Fuente de Cibeles, assim chamada em homenagem à deusa greco-romana da Natureza, representada num carro puxado por leões. Desenhada no final do século XVIII, é vista como um símbolo da cidade.

Gran Vía

É uma das principais artérias da Madrid moderna, ladeada por uma belíssima exposição permanente da melhor arquitectura da cidade, como o cinema Capitol e os edifícios das empresas Telefónica e Metrópolis.

Campo del Moro

Um dos mais agradáveis parques da cidade. Foi buscar o nome ao mouro Ali ben Yusuf, que ali acampou com o seu exército no ano de 1109.

Parque del Retiro

No Bairro Jerónimos, onde outrora se erguia um palácio mandado construir por Felipe IV nos anos de 1600, existe agora um parque de seu nome Retiro. É um dos locais de descanso mais concorridos de toda a Madrid. No seu interior, além do lago onde se podem alugar barcos a remos, encontram-se dois palácios: o de Velázquez e o de Cristal.

Por Sandra M. Pinto

 

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