La Mamounia maravilha marroquina

Para quem anda nisto de escrever sobre hotéis há muitos anos, o nome La Mamounia faz parte da lista daqueles locais que é obrigatório conhecer. A verdade é que realizámos o desejo e viajámos até Marraquexe apenas para descobrir o melhor hotel de Marrocos e um dos melhores do mundo.

Tudo começou há muitos anos aquando de uma pesquisa sobre os melhores hotéis do mundo. La Mamounia pontuava como um dos primeiros. O desejo de o conhecer ficou e manteve-se inalterado durante anos, até que chegou a ocasião sob a forma de e-mail onde a frase que se destacava era “venha conhecer o La Mamounia!”. Como recusar? A excitação já tinha tomado conta do pensamento, pelo que bastou enviar a resposta positiva e passados poucos dias embarcar rumo a Marraquexe, antiga cidade imperial marroquina e morada do hotel. Ao contrário da agitação que nos inundava o pensamento, a viagem de avião de cerca de duas horas decorreu tranquilamente. Depois de passar pelo controle de passaportes (garantidamente o momento mais enervante de toda a jornada), um transfere aguardava para nos levar até ao, viria a ter a noção pouco tempo depois, paraíso!

O calor do deserto encheu-nos a alma de alegria e o corpo de suor, mas nada importava. Passados poucos minutos ali estava ele, La Mamounia, magnífico e imponente, um verdadeiro senhor que nos recebia com um sorriso nos lábios.

“O lugar mais maravilhoso do mundo”…

…foi como caracterizou Winston Churchill Marraquexe, refugio que procurava para fugir aos rigores do Inverno europeu. A sua morada era impreterivelmente o La Mamounia, onde pintou inúmeros quadros, hoje expostos no museu que carrega o seu nome em Inglaterra. A história do hotel começa no século XVIII com o rei Sidi Mohammed Ben Abdellah que tinha por costume oferecer aos filhos como prenda de casamento uma casa com jardim localizada fora dos limites de Kasbah. Esses espaços de lazer juntos deram origem aos maravilhosos jardins de oito hectares que rodeiam o hotel. Concebido em 1923 pelos arquitectos Prost e Marchisio, o Mamounia foi desde o início considerado como um monumento onde arquitectura tradicional marroquina se harmonizava com Arte Deco. Acolhendo apenas 50 aposentos, sofreu em 1946 a primeira renovação ganhando mais 100 quartos. De lá para cá passou por mais uns quantos processos de remodelação, tendo sido o último deles o mais profundo tendo implicado o fecho do hotel entre 2006 e 2009. Podemos afirmar que esses três anos de encerramento valeram bem a pena, pois o que hoje lá encontramos é muito mais do que um hotel, é um verdadeiro oásis

Por onde começar? É tudo fantástico!

Actualmente são 214 os aposentos do Mamounia, entre quartos e suites, aos quais acrescem os riads (casas separadas com três assoalhadas, salão marroquino, terraço e piscina privada). Quando entrámos no nosso quarto foi como se acedêssemos a um dos contos das Mil e Uma Noites: decoração tipicamente marroquina, vistas para os jardins e para a Cotovia (torre da principal mesquita de Marraquexe), que mais podíamos desejar? Tivemos a resposta quando entrámos na casa de banho, a qual toda em mármore mais parecia um mini spa privado. Era oficial: tínhamos entrado no céu!

Foi com algum esforço que decidimos explorar o resto do hotel, pois a tranquilidade do aposento apelava aos nossos mais básicos instintos de preguiça e dolce fare niente. Depois de percorrer largos corredores (sim o hotel é realmente grande), e de passarmos pelas lojas de griffes como Dior e Gucci, percurso durante o qual nos cruzámos com gente bonita e muito elegante, decidimos desvendar os segredos do spa. E aí foi o início de mais uma grande aventura…

Não há spa como este

É uma escada que nos transporta a este universo de bem-estar. Mais uma vez à chegada somos recebidos com um sorriso nos lábios e uma palavra de simpatia. Informamos que temos um hammam marcado (nem podia ser de outra forma, em Marrocos sê marroquino): relaxamento numa sala com vapores quentes, esfoliação e hidratação. No final chá de menta. Mas este tratamento tradicional é apenas uma das hipóteses que constam do cardápio do spa. Desde massagens a tratamentos faciais, de tudo um pouco os visitantes encontram no spa do La Mamounia, além de um salão de cabeleireiro, que garantimos vale a pena visitar. Além da piscina exterior, destacamos a interior, mais uma das maravilhas da arquitectura do hotel, assim como o jacuzzi. O mármore impera e as colunas dão imponência a um espaço de onde não apetece sair! Uma palavra para os produtos utilizados no spa, das marcas Shisheido e maroc/Maroc a escolha não podia ter sido melhor.

Em nome dos 5 sentidos…

…bem podia ser o lema comum aos quatro espaços de restauração do hotel, conclusão a que chegámos depois de termos degustado as maravilhas gastronómicas servidas em cada um. Le Marocain apresenta um conjunto de sugestões oriundas da cozinha marroquina harmonizando saberes tradicionais com influências mais modernas. Sugerimos que jante no terraço, onde um grupo de música tradicional marroquina anima a refeição. Noutro registo, Le Français, tal como o nome indica, vive da gastronomia francesa contemporânea. Da responsabilidade de Jean-Pierre Vigato serve almoços e jantares. Claro que não podia faltar um restaurante italiano, por isso o hotel foi a Capri buscar Don Alfonso, chef com estrelas Michelin, e criou L’Italien, onde a cozinha italiana surpreende com laivos de grande contemporaneidade. Ao almoço o espaço mais requisitado para refeições é o pavilhão da piscina, e rapidamente percebemos porque: excelente ambiente e uma gastronomia mediterrânica de excelência. O nosso destaque vai para o brunch de domingo, o qual surpreende pela variedade de sabores apresentados e pela diversidade de marisco, carnes e saladas. A não perder! Como não deve perder antes do jantar o bar Churchill. Dono de uma decoração extremamente elegante (fotos de grande interpretes de jazz), ali a conversa flui e o riso é uma constante.

Tudo no La Mamounia é perfeito, as fardas que mais parecem saídas de desfiles de alta-costura, a simpatia e o profissionalismo de todo o staff, a decoração onde nada falha…palavras não chegam, é preciso viver e sentir este hotel…sem dúvidas, um dos melhores do mundo!

Por Sandra M. Pinto

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