Já conhecia estes cinco factos sobre Notre Dame?

Já conhecia estes cinco factos sobre Notre Dame?

Ao lado da Torre Eiffel e do Museu do Louvre, a Catedral é um dos monumentos mais conhecidos do mundo, na cidade de Paris. Mas se não fosse um escritor e um corcunda, o edifício talvez já não existisse.

Por Diana Pedro Tavares 

Muitos conhecem o livro e filme sobre a história de Quasimodo, mas sabe o verdadeiro impacto que o livro de Victor Hugo teve na protecção do edifício gótico? Apesar da importância histórica e dos artefactos atraentes a qualquer religioso (incluindo o que é dito ser um pedaço da coroa de espinhos de Cristo, conseguido durante as Cruzadas), este local nem sempre foi respeitado.

E sobre a primeira construção do local de culto religioso? Sabe quantos anos demorou a construir? E como foi usada na Revolução Francesa? Se está a pensar visitar Paris nos próximos meses, deixamos algumas curiosidades.

 

Foi uma das primeiras catedrais góticas 

Apesar de não ter sido a primeira casa de Deus a ser construída no local, pois existiu no recinto um local de culto celta, um templo de Júpiter e uma basílica cristã, a de Saint Etienne, foi uma das primeiras celebrações do estilo gótico no mundo, com os trabalhos a serem iniciados em 1163. Durou 200 a ser totalmente construída, com as obras a serem concluídas em 1345.

Os símbolos que encontra na pedra são, nalguns casos, “facturas” 

Se passear pelo interior da catedral, encontrará vários símbolos cravados na pedra, em pilares, por exemplo. Cada um desses sinais representa a marca de um pedreiro. A sua “assinatura”. Ao contrário de muitas construções da Idade Média, Notre Dame não foi construída com mão-de-obra escravizada, mas sim com trabalhadores pagos.

O sistema de contabilidade foi criado para os pedreiros, com níveis de escolaridade variados. Em vez de um registo no papel, os pedreiros cravavam as marcas na pedra, para assim o encarregado saber a quem pertencia cada uma, e assim determinar quanto cada um recebia pelo trabalho.

Foi, durante a Revolução Francesa, uma fábrica e armazém de pólvora 

No século XVI,  tanto a pressão da monarquia como de outros movimentos modernistas ou confiscaram bens, ou foram responsáveis por episódios de vandalismo contra a catedral. Quando a Revolução começou, foi usada para guardar comida, mas também os materiais usados nos confrontos, durante os anos 1789 e 1799. Enquanto os envolvidos manuseavam a pólvora e armas, vários acidentes ocorreram.

Esteve para ser demolida 

Devido aos danos causados pela Revolução Francesa e o abandono, o edifício esteve, entre os anos 1819 e 1829, no olho dos parisienses para demolição, pois estes aderiam, no início dos anos 1800, a modas românticas e neo-classicistas, viam os edifícios góticos como algo “de mau gosto”, tanto que o termo “gótico” se tornou um insulto. Muitas estruturas com este estilo arquitectónico estavam a ser deitados abaixo.

Segundo textos da época, alguns do próprio Victor Hugo, autor do livro O Corcunda de Notre Dame, o plano era usar as pedras maiores como bases para os pilares de uma nova ponte.

O Corcunda salvou a Catedral 

O romance sobre o rapaz deformado escondido em Notre Dame teve como nome original “Notre Dame de Paris”, um indicador de como o autor queria que o edifício fosse tão protagonista como as personagens humanas.

O livro foi escrito e publicado no início dos anos 1800, quando Victor Hugo ficou preocupado com a possibilidade de demolição. Recebeu boas críticas e foi lido por toda a França, e mais tarde, foi um sucesso mundial.

A história atraiu muitos franceses a Paris, que queriam ver com os seus olhos o local onde Quasimodo “viveu” e saltou para salvar a cigana Esmeralda da sentença do arcebispo Frollo. E rapidamente surgiram as críticas negativas, de como os parisienses não respeitavam o património imaterial que tinham na sua cidade.

Com a catedral a ganhar nova popularidade, a pressão social acabou por vencer e os planos de demolição deram lugar à restauração. Os trabalhos para reabilitar Notre Dame começaram oficialmente em 1844.