Ilhas gregas terra mitológica habitada por deuses e lendas

Verdadeiro cartão-de-visita do seu país, as ilhas gregas oferecem, a par de belos cenários naturais, testemunhos de antigas civilizações. Locais onde as mais ancestrais tradições ainda marcam o quotidiano das suas gentes.

Das quase incontáveis ilhas gregas, apenas cerca de cem são, actualmente, habitadas. Ao contrário do que se poderia supor, todas são diferentes, apresentando características que as distinguem das demais, seja pelo clima, pela paisagem ou mesmo pela herança cultural. Na realidade, quase se pode afirmar que existem ilhas para todos os gostos: para os estudiosos da Geologia, para os amantes da História, para os apreciadores de férias com muita agitação e para aqueles que procuram o silêncio e a tranquilidade.

Ao ritmo da Natureza, o dia-a-dia das ilhas segue um compasso muito próprio, apenas alterado com a chegada dos turistas, uma das principais fontes de receita da região. Mas, ao contrário do que aconteceu em meados do século XX, hoje a grande aposta reside na oferta de um turismo de qualidade que, simultaneamente, ofereça boas condições e preserve as belezas naturais das ilhas. Daí que nas últimas décadas os órgãos governamentais tenham dedicado mais atenção às infra-estruturas, como estradas e ruas pavimentadas, a uma melhor rede de telecomunicações, melhores aeroportos e marinas bem equipadas.

Nas ilhas gregas, as actividades disponíveis são imensas! Os apreciadores dos desportos aquáticos, como o mergulho, encontram todas as condições para os praticar em segurança, enquanto que os aficionados das compras vão adorar este destino, especialmente se seguirem a nossa sugestão de comprarem directamente ao produtor, como acontece com o artesanato, que fica muito mais em conta. Para quem gosta dos prazeres do sol, as praias são inúmeras, sendo também inúmeros os locais históricos espalhados pelas ilhas, procurados pelos milhares de turistas que vêm até este paraíso grego.

Neste mundo à parte, distribuído por vários grupos de ilhas, descobrem-se, em pleno século XXI, verdadeiros santuários de paz e tranquilidade. Locais onde a vida ganha outra dimensão, desfilando suavemente ao sabor de antigas tradições.

As Jónicas, terra natal de Ulisses

Composto por seis ilhas – Corfu, Paxos, Lefkáda, Ítaca, Cefalónica e Zákynthos –, o grupo das Jónicas é bastante acessível a partir do continente. Mas o mesmo não se pode dizer das ligações entre elas, que não são nada fáceis. O melhor é pernoitar em Corfu, caso pretenda conhecer as ilhas do grupo norte, ou em Cefalónia, para as do grupo sul.

Com as suas enseadas isoladas, aldeias de montanha e estâncias turísticas situadas na costa ainda muito selvagem, Corfu é, na realidade, a referência do grupo das Jónicas. A sua principal cidade, com o mesmo nome da ilha, preserva ainda as influências europeias que lhe trouxeram fama, ou não tivesse sido ela administrada primeiro pelos venezianos e depois pelos britânicos!

Durante os meses de Verão a agitação chega à cidade, mas fora desta, os que pretenderem umas férias calmas em família podem ficar num dos vários aldeamentos turísticos ou numa das vilas piscatórias de Corfu.

O mais tradicional modo de vida grego ainda subsiste em cada uma das Jónicas, sendo efectivamente um aspecto que cativa quem as visita.

As Argo-Sarónicas, vizinhas de Atenas

A proximidade geográfica com a capital da Grécia faz com que o grupo das Argo-Sarónicas – composto por Salamína, Egina, Póros, Hidra, Spétses e Kýthira – seja o ideal para visitas rápidas para os que pernoitam em Atenas.

Para estadas mais prolongadas, Egina é o ponto de partida para a descoberta das outras Argo-Sarónicas. Tal como as restantes cinco ilhas, possui paisagens exuberantes compostas por abundantes matas de pinheiros e uma costa recortada por deliciosas baías de água cristalina. Da mesma forma, é dona de pitorescos portos habitados por tradicionais embarcações e de ruas empedradas ladeadas por construções neoclássicas. Para gáudio dos visitantes em busca de animação, Egina está repleta de bares e lojas, possuindo mesmo uma atmosfera cosmopolita q.b.

Ao percorrer qualquer uma das ilhas que integram as Argo-Sarónicas, em particular Póros, Hidra e Spéteses, não se espante se na estrada se cruzar com carroças puxadas por simpáticos cavalos, um dos mais apreciados meios de locomoção dos habitantes.

Ainda neste grupo, é impossível não fazer referência à ilha de Kýthira, um éden de sossego, com praias desertas e simpáticas aldeias.

As Espórades e a Eubeia, luxuriantes paisagens

Ao grupo das Espórades – constituído pelas ilhas Skiáthos, Skópelos, Alónnisos e Skýros – é normal os panfletos turísticos juntarem mais uma, a belíssima ilha de Eubeia. Possuidora de uma imensa riqueza histórica, herança deixada pelos venezianos e pelos turcos, esta ilha tanto proporciona lazer como cultura. Nela é possível visitar recheados museus, como o Arqueológico e o Folclórico, enquanto que nos centros turísticos as actividades são variadas, com predominância, claro está, para a praia e para os desportos aquáticos, como o windsurf.

Na segunda metade do século XX, este grupo foi descoberto por gente rica, vinda não só da Grécia mas também do resto da Europa, que ali se dirigia em busca do sol e das praias desertas de Skiáthos, Skópelos e Alónnisos. Com o passar dos anos a exclusividade deu lugar a um turismo mais democrático, mas nem por isso menos rentável. Hoje, os bons hotéis convivem harmoniosamente com uma natureza bem preservada, sem dúvida um sinal de inteligência por parte dos empresários.

As ilhas do Nordeste do mar Egeu, a importância da diferença 

São sete as maiores ilhas que integram o grupo do Nordeste do mar Egeu: Thássos, Samotrácia, Límnos, Lesbos, Quios, Icária e Samos. Este é definitivamente um dos grupos mais apelativos, pois, apesar de geograficamente muito próximas e de todas terem sido governadas pelos genoveses, as ilhas possuem paisagens e estilos de vida bem diferenciados.

Se Thássos encanta com as praias e as ruínas antigas, Samotrácia apresenta-se como um refúgio para quem procura a Natureza no seu estado mais selvagem e puro. Os que preferem um destino sereno encontram-no na ilha de Límnos, povoada por pitorescas aldeias e belos areais. Famosa devido à qualidade do azeite que produz, Lesbos reúne uma imensa variedade de paisagens.

O Dodecaneso, onde o clima é mais quente e as praias mais belas 

Considerado por muitos como o arquipélago mais cosmopolita, o Dodecaneso integra os últimos pedaços de terra a serem integrados na Grécia moderna. No total são 13 as ilhas que o integram: Pátmos, Lipsí, Léros, Kálymnos, Kos, Astypálaia, Nísyros, Tílos, Sými, Rodes, Chálki, Kastellórizo e Kárpathos.

Dividido em norte e sul, o grupo atrai uma imensidão de turistas que chegam à procura, essencialmente de sol, calor e boas praias.

Rodes, a ilha principal, é a mais procurada, pois congrega um misto de locais históricos merecedores de uma visita, com intermináveis línguas de areia banhadas por um mar quente e calmo. Ali, tal como na ilha de Kos, a arquitectura otomana predomina, ou não estivessem muito perto da costa da Turquia! Tanto na Cidade de Rodes, capital da ilha, como em Líndos, magnífica localidade dominada por uma antiga acrópole, há muita animação e bons sítios para compras.

Conhecida como a Jerusalém do Egeu, a ilha de Pátmos detém um estatuto religioso que vem do o ano 59 d.C., data que assinala a fundação do Mosteiro de São João. Ainda hoje a ilha divide os que vêm à procura de descanso e os peregrinos em busca de um local de fé.

As Cíclades, em redor de Delos

O maior arquipélago de todos, e também o mais visitado, é composto por 17 ilhas – Andros, Tínos, Míconos, Delos, Sýros, Kéa, Kýthnos, Sérifos, Sífnos, Páros, Náxos, Amorgós, Ios, Síkinos, Folegándros, Mílos e Santorini. Inegavelmente um dos melhores destinos para férias, o grupo das Cíclides vive predominantemente da indústria do turismo.

Apesar de muito seca e árida, Míconos é das ilhas mais conhecidas. Pitorescos moinhos e algumas centenas de capelas salpicam a paisagem, da qual também fazem parte as praias. Com a noite chega a animação, que durará até ao nascer do dia.

De origem vulcânica, Santorini é considerada das mais bonitas do arquipélago, repleta de pequenas casinhas imaculadamente brancas e de igrejas, com telhados pintados de azul. É impossível resistir aos coloridos artigos de artesanato comercializados nas lojas. A partir do seu porto, os turistas têm à sua espera 600 degraus em espiral antes de conseguirem alcançar a primeira aldeia, Oia! A subida e/ou descida podem ser feitas de funicular, de burro ou a pé.

A rica herança histórica das Cíclades é posta em evidência na desabitada ilha de Delos, um dos mais valiosos museus arqueológicos ao ar livre da Grécia.

Creta, amor à liberdade

Rodeada por um mar translúcido pintado de azul-claro, a ilha de Creta é toda ela dominada por grandes e imponentes montanhas. Isolados do resto do mundo durante séculos, os seus habitantes tornaram-se profundamente independentes e bastante ciosos da sua terra. Apaixonados pela ilha, os cretenses preservam-na de forma aguerrida. Os apreciadores da arqueologia encontram ali um frutuoso terreno de estudo, ou não fosse Creta habitada pelas ruínas de grandes palácios – Minóicos, Cnossos, Festo, Mália e Zákros –, descobertos apenas no princípio do século passado.

Muito fica por dizer no que às ilhas gregas diz respeito, mas há sempre espaço para uma última sugestão: o Verão já chegou e as férias estão à porta, porque não aproveitar e marcar avião com destino a este paraíso para descobrir por si tudo o que não lhe contámos?

Por Sandra M. Pinto

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