De férias em Miami

Em pouco mais de um século, Miami transformou-se num importante centro urbano e num dos mais solicitados destinos de férias norte-americanos. A cidade possui uma miscelânea cultural, da qual sobressaem as influências hispânicas. Dona de um ritmo alucinante, Miami parece estar sempre a reinventar-se.

Não mais do que pântanos e terra selvagem nos finais do século XIX, frequentemente apelidada de Cidade Mágica, Miami sempre pareceu crescer mais por magia do que por planeamento, livre para ser espanhola, moura ou caribenha, seguidora da Art Deco ou do pós-modernismo. No decorrer de mais de um século a cidade foi transformada através das mãos de sonhadores que levaram a cabo as mais extravagantes experimentações urbanas, inventando e reinventado a sua história. Hoje quem chega encontra uma sucessão de fantasias e um emaranhado ecléctico de estilos arquitectónicos e tendências urbanísticas sem paralelo.

O sonho de Henry Flagler

Nos últimos anos do século XIX, Henry Flagler, empresário dos caminhos-de-ferro, descobriu as potencialidades do Sul da Flórida. Com o objectivo de atrair turistas, ampliou as suas linhas ferroviárias até este destino de clima ameno e belas praias, investindo igualmente na construção de grandes hotéis, aos quais deu românticos nomes espanhóis e um estilo mediterrâneo inspirado em Espanha e Itália.

É inegável que os estilos arquitectónicos pouco ou nada tinham que ver com a Flórida, mas a realidade é que a moda pegou, dando início à “libertinagem” arquitectónica de Miami. Já na década de 20 do século XX, outras experimentações urbanas têm lugar. Nessa altura surge George Merrick com o desejo de criar uma cidade inteiramente nova, onde, e uma vez mais, as arquitecturas hispânica e italiana seriam o mote, agora pontuadas com o toque tropical da Flórida. Foi este o sonho que originou o maior empreendimento dos loucos anos 20, Coral Gables, uma autêntica cidade dentro de Miami que é hoje atracção turística pela beleza dos seus canais, verdejantes jardins e elegantes edificações.

Mas a década de 1920 foi também rica na construção de edifícios onde cúpulas, minaretes, arcos e ricas decorações revelavam as influências exóticas das Mil e Uma Noites, de tal forma que até as ruas onde se instalaram estas originais construções tomavam nomes a condizer, como Aladin, Ali Baba e Shaharazad! Com a Grande Depressão, floresce o estilo Art Deco, que preconizava optimismo e fé no progresso, num dos mais negros períodos dos EUA. Em Miami, este estilo desenvolveu-se de uma forma muito peculiar, uma vez que as tradicionais linhas depuradas e futuristas que o caracterizam ganham contornos mais imaginativos e alegres, inspirados no ambiente tropical.

Entre a praia, a arte e a arquitectura

As experimentações arquitectónicas prosseguiram no decurso do século XX, e ainda hoje é possível que, de repente, a cidade incarne mais uma fantasia num canto qualquer, afinal, esta é uma Cidade Mágica. Com a década de 1980, Miami inicia a sua época moderna. É a altura do boom na construção hoteleira, que dá uma nova configuração à cidade, e é também quando esta se transforma num activo centro financeiro com a chegada dos grandes bancos internacionais. Este repentino desenvolvimento reflecte-se na sua nova silhueta com mil e um arranha-céus a subir até ao céu. É o tempo de mais fantasias arquitectónicas, e desta vez são as tendências pós-modernistas que inspiram os altos edifícios, tornando Miami numa metrópole ultra-moderna, onde ainda existem aqueles recantos em que o tempo parece ter parado.

O seu ex-líbris dá pelo nome de South Beach, lugar de fantasia onde as pessoas parecem estar permanentemente de férias. Mas a verdade é que esta South Beach é recente, uma vez que foi a partir da recuperação do imenso património Art Deco da zona, na década de 1980, que se iniciou a sua revitalização. Hoje, a chamada “So Be” é um dos locais mais animados de Miami, frequentado tanto por celebridades como por cidadãos anónimos. Foram os artistas e os intelectuais que tiveram o sonho de fazer de South Beach o sítio mais cool do mundo, ao abrirem os melhores teatros e ao transformarem restaurantes abandonados nos mais exclusivos clubes nocturnos da cidade. Em pouco tempo os famosos começaram a aparecer em cena e South Beach passava a ser conhecida no mundo, chegando a atrair as atenções de investidores milionários. Surgem os gigantescos condomínios de luxo, as lojas de alta-costura e das grandes marcas de prêt-à-porter invadem a zona sul da Collins Avenue, enquanto na Lincoln Road as boutiques chiques e de mobiliário de design substituem as lojas de bricolage e na Ocean Drive surgem exclusivos restaurantes e cafés de esplanada.

A baixa de Miami é a sua zona mais antiga, que se começou a desenvolver em finais do século XIX com a chegada do comboio. Industriais abastados dos estados mais a norte abriram bancos e outras instituições, ao mesmo tempo que construíam as suas mansões ao longo da Brickell Avenue. Hoje, toda esta área é um grande centro financeiro e comercial, ao qual se juntaram os hotéis de reputadas cadeias hoteleiras. Mas são os seus arranha-céus futuristas que revelam o estatuto da cidade como grande centro de negócios, sendo também nesta zona privilegiada que mais se sente a influência hispânica. Com a chegada ao poder de Fidel Castro na vizinha Cuba, em 1959, muitos cubanos, sobretudo das classes mais abastadas, fugiram da ilha para se instalarem aqui. Criaram Little Havana, uma verdadeira cidade dentro de Miami, com cerca de 9 km2, onde a vibrante cultura cubana está bem presente, particularmente em Flagler Street, a rua onde melhor se sente a animação hispânica.

Downtown é também o cenário para alguns interessantes espaços culturais – como o Gusman Center For The Performing Arts e o Metro-Dade Cultural Center – para fazer atraentes compras e tomar uma refeição – devido à diversidade de restaurantes ali existentes, do mais requintado ao fast-food. Entre a Baixa e Miami Beach fica Biscayne Bay, o porto de cruzeiros mais movimentado do mundo e a zona onde se concentram as comunidades mais exclusivas de Miami.

Já Coconut Grove reflecte uma história mais antiga, valendo a pena visitar esta vila que já foi ponto de encontro de hippies nos idos anos 60. Hoje é um sítio muito animado, para jovens e menos jovens, com bares, cafés e restaurantes mais acessíveis, a sucederem-se em elegantes cenários arquitectónicos.

A Miami dos nossos dias é senhora de uma oferta cultural diversificada, com uma agenda cultural de primeira classe. A confirmá-lo estão instituições de renome internacional como a New World Simphony, o Miami Citty Ballet, o Colony Theater ou então o Art Center of South Florida, não esquecendo ainda a considerável comunidade de dançarinos, actores, artistas e designers.

A Cidade Mágica chegou ao século XXI lado a lado com outras grandes metrópoles do mundo, mas não renegou aquele velho charme que encantou os primeiros visionários. Anualmente acolhe multidões de turistas. Traçar-lhes o perfil é difícil, mas é certo que todos vêm em busca das fantasias que só esta cidade soube criar ao longo de uma vida ainda curta mas repleta de aventuras.

Não se esqueça de…

Praia – Procurar uma praia vigiada, de preferência perto do hotel onde se encontra hospedado. Claro que a melhor opção é a praia de Ocean Drive.

Deslocações – Optar pelo aluguer de carro para se movimentar na Dowtown Miami, e andar a pé em Miami Beach, tal como os seus habitantes.

Artes decorativas – Marcar a viagem para o mês de Janeiro no caso de ser apreciador de artes decorativas, altura em que tem lugar, em South Beach, o Art Deco Weekend.

Fumar – Não fumar em áreas públicas. Em Miami, a maior parte dos restaurantes possui zonas separadas para fumadores.

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